terça-feira, 25 de novembro de 2008

Letícia voltou para casa em Janeiro último
E as coisas já não tem sido as mesmas desde então
As pessoas falam e comentam
Letícia... desce logo e vamos brincar...
Um acidente na lagoa e um diagnóstico
"Lamento, não há muito a se fazer"
Seu semblante era sério, seus olhos não piscavam
Vamos Letícia, vamos brincar
O pequeno Matheus era seu namoradinho de infância
E prometeu para si mesmo sempre cuidar dela
Ela ainda não se movia
E o doutor dizia que era inútil
Vamos Letícia, venha brincar
Ele sentou ao seu lado
E viu os anos passarem
Ela estava tão frágil, parecia indefesa
E ele se perguntava o porque de ainda estar viva
Todos na cidade tinham aquele olhar de misercórdia
Eles falavam em cochichos
"Eu desligaria as máquinas"
Mas ainda ele continuava ao seu lado
E dizia que a vida não lhe seria negada
Oh Letícia, porque não quer brincar?
Girassóis decoravam seu pequeno quarto
Um mural na porta diz: Seja Bem-vinda!
Mas ela apenas senta e olha
Ela está acordada mas não está presente
Letícia, venha logo brincar...
E o pequeno Matheus cresceu tão rápido
Assim como todos nós
E ainda vai visitá-la todos os domingos
Ela é como um brinquedo defeituoso
Tem um corpo formado
E a mente de um vegetal
Ela parece tão frágil, tão indefesa
E ele se pergunta o porque de ainda estar viva...
Letícia voltou para casa desde aquele Janeiro
E as coisas nunca mais foram as mesmas desde então

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